Múltiplos competidores da MotoGP expressaram preocupações significativas sobre o estado do asfalto no Circuito Internacional de Sepang logo antes do Grande Prêmio da Malásia deste fim de semana. A pista, que foi repavimentada pela última vez há uma década, estava programada para receber novo pavimento antes do evento motociclístico deste ano. No entanto, atrasos logísticos decorrentes da situação geopolítica no Oriente Médio forçaram os organizadores a adiar os trabalhos. A situação piorou após o circuito sediar uma corrida inesperada de Fórmula 1 este mês, realizada como 'Grande Prêmio do Bahrein' em substituição ao local habitual de Sakhir. A alta carga aerodinâmica gerada pelos carros da F1 causou degradação considerável adicional em várias curvas-chave.
Em uma tentativa de abordar irregularidades na superfície, foram realizados trabalhos corretivos nas retas para nivelar a pista e remover ondulações. No entanto, os pilotos relatam que essa intervenção parece ter agravado o problema em outras áreas. A superfície agora está soltando pedras devido às forças geradas pelas motocicletas em aceleração, criando um ambiente perigoso. Isso espelha um problema semelhante encontrado anteriormente na temporada de 2026 no inaugural Grande Prêmio do Brasil em Goiânia, onde a corrida principal foi encurtada após a pista começar a desmoronar durante as corridas de apoio.
Após o primeiro dia de treinos na sexta-feira, vários pilotos expressaram frustração por seus pedidos de repavimentação feitos após os testes não terem sido atendidos. Jack Miller descreveu francamente o asfalto como "f**ked", observando que a Curva 1 e a Curva 4 perderam quase todas as pedras da superfície. Ele enfatizou que, embora a pista sofra um abuso significativo, a falta de tempo entre os testes e a corrida, combinada com o evento da F1, impediu melhorias necessárias antes dos testes do próximo ano.
Os detritos soltos já causaram lesões físicas aos pilotos. Fabio Di Giannantonio, da VR46 Ducati, comparou o circuito a uma pista de motocross, afirmando que protetores torácicos agora são essenciais devido às pedras voando do asfalto. Ele relatou ter sido atingido por múltiplas pedras durante uma largada nos treinos enquanto seguia outro piloto. Luca Marini, da Honda, foi forçado a abortar uma volta após uma pedra solta danificar o radiador de sua moto RC213V. Di Giannantonio também criticou o trabalho de nivelamento na reta de largada e chegada, observando que, embora não possam mudar a situação imediatamente, ela permanece problemática para as corridas de motociclismo.
O piloto da LCR Honda, Johann Zarco, acrescentou que, embora a pista parecesse normal quando ele pilotava sozinho, seguir outros pilotos resultou em pedaços de asfalto atingindo seu corpo. Ele alertou que, para a próxima corrida sprint, os 19 pilotos que não estiverem liderando enfrentarão um desafio muito difícil, provavelmente sofrendo inúmeros impactos em seus braços e pescoço. Embora os pilotos estejam acostumados a tais condições, Zarco expressou pesar pela necessidade de suportar esses perigos.
Fontes: The Race.